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A salvo no pensamento espiritual

From The Herald of Christian Science - June 30, 2022


“Estava uma noite escura e tempestuosa...”, literalmente. Eu era estudante universitária e estava acampando no Lake District, no norte da Inglaterra, com uma amiga. O sol estava se pondo e uma tempestade se aproximava. Estávamos caminhando na floresta ao redor de um lago. Quando a chuva começou a cair, resolvemos retornar ao acampamento, mas quanto mais caminhávamos e quanto mais voltas dávamos ao redor do lago, mais desorientadas ficávamos, à medida que a noite caía. 

Isso aconteceu antes da época dos celulares ou do GPS. Nós duas éramos Cientistas Cristãs, acostumadas a recorrer a Deus em oração. Lembrei-me de uma simples oração para crianças, a qual: “Onde quer que eu esteja, Deus está. Sendo assim, não há lugar mais seguro do que o lugar para onde eu vou”.

Minha amiga e eu conseguimos chegar a uma estrada. Alguns poucos carros e caminhões passaram enquanto a chuva caía. Não era seguro andar no escuro, então decidimos pegar uma carona que nos levasse rumo à direção do acampamento, mas acabamos indo na direção oposta.

Com o estudo da Bíblia na Escola Dominical, havíamos aprendido a respeito de pessoas que recorreram a Deus, o Amor divino, em busca de orientação e segurança. Os exemplos incluem Moisés, que liderou os filhos de Israel pelo deserto, e José, que foi vendido como escravo e passou por muitas provações, mas nunca deixou de confiar em Deus e acabou salvando da fome toda a região para onde fora levado. Também lemos no Novo Testamento a respeito de Cristo Jesus e das ocasiões em que ele acalmou tempestades e passou ileso por uma multidão enfurecida.

Naquela noite, os pensamentos de que precisávamos não vieram da maneira como normalmente acontece durante uma aula na Escola Dominical, mas sim como a certeza de que nós também estávamos sendo cuidadas e protegidas, e que jamais poderíamos estar fora do domínio do Amor divino. Acho que sentimos algo semelhante ao que Mary Baker Eddy, a Descobridora da Ciência Cristã, descreveu em Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras: “A profundidade, a largura, a altura, a força, a majestade e a glória do Amor infinito enchem todo o espaço. Isso é suficiente!” (p. 520).

Ao rememorar esse episódio agora, especialmente já na condição de mãe, fico impressionada com a proteção divina que nos envolveu, quando pegamos carona com dois motoristas de caminhão e acabamos dormindo em uma garagem que servia de parada de descanso para caminhoneiros. O fato de estarmos alertas, em espírito de oração, e sempre na expectativa do bem, permitiu que nos comunicássemos sem medo com as pessoas que encontramos, com genuína gratidão. E eles responderam, nos ajudando com toda a boa vontade. Os caminhoneiros nos serviram chá quente e cederam os bancos traseiros dos seus carros para dormirmos e, na manhã seguinte, nos ajudaram a encontrar nosso acampamento. 

No mundo de hoje, quando refugiados de guerras ou de desastres climáticos são apanhados sem casa, famintos, sem saber qual o caminho que os conduzirá à segurança e proteção, eu me pego lembrando-me daquele incidente de muitos anos passados. Minha história pode parecer pequena em comparação com outras histórias, mas o Princípio governante, no qual minha amiga e eu confiamos quando jovens, está presente para ajudar agora, como também esteve nos tempos bíblicos. A onipresença de Deus, o cuidado todoabrangente do Amor e a orientação da Mente divina estão à mão para trazer conforto e libertação do medo, abrindo o caminho mesmo nas mais desafiadoras circunstâncias. 

Jeremias, o profeta, assegurou àqueles que o rei Nabucodonosor havia levado cativos de Jerusalém para a Babilônia: “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais” (Jeremias 29:11). A promessa foi cumprida quando o povo finalmente conseguiu retornar à sua terra natal.

A generosidade dos outros pode às vezes aparecer em determinados momentos e nos lugares menos esperados. Por exemplo, vemos isso ilustrado na história bíblica de uma mulher de Suném, que ofereceu ao profeta Eliseu um quarto e comida sempre que ele visitava sua comunidade; ela percebera a bondade do profeta, percebera que ele era bom (ver 2 Reis 4:8–10).

Uma profunda convicção da bondade e do bem nas outras pessoas, aliada ao discernimento espiritual, é fruto do pensamento espiritualizado, e isso é possível porque Deus, o Espírito, é o bem; nós já incluímos esse bem. Se nos perdermos ao longo do caminho na vida, se nos virarmos à esquerda em vez de à direita, ou se ficarmos presos em uma rotina, constataremos que a sabedoria e a graça de que necessitamos para seguir em frente está ali mesmo ao nosso alcance, quando nos volvemos a Deus.

Às vezes, o medo tenta nos atrapalhar — medo de sofrer danos ou de não ter uma moradia adequada; medo da doença, da privação, da velhice; medo manifestado como apatia ou depressão. Embora o medo pareça obscurecer as ideias de que necessitamos, o pensamento receptivo à bondade de Deus discerne as respostas. Ciência e Saúde declara: “Do começo ao fim, as Escrituras estão cheias de relatos do triunfo do Espírito, a Mente, sobre a matéria. Moisés provou o poder da Mente por meio daquilo que os homens chamavam milagres; provaram-no também Josué, Elias e Eliseu. A era cristã foi introduzida com sinais e prodígios” (p. 139). Elias fugiu para o deserto quando a rainha Jezabel tentou matá-lo, e ele se resignou a morrer ali. Mas “um anjo o tocou e lhe disse: Levanta-te e come”, e ele continuou seu caminho em segurança, percebendo e compreendendo, como nunca antes, o poder e o cuidado de Deus sempre presentes (ver 1 Reis 19:1–12).

Se houver um desvio inesperado em nossa jornada, podemos ter a certeza de que, confiando em Deus, o Amor divino, seremos elevados para que possamos continuar resolutamente em nosso caminho rumo ao Espírito.

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Mary Sands Lee, Christian Science Sentinel, July 7, 1956

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